De Carminho a Catarina Furtado, 74 "mães" exigem explicações sobre atuação policial

De Carminho a Catarina Furtado, 74 "mães" exigem explicações sobre atuação policial

Em carta aberta, o movimento que se autointitula "mães do Rossio" pede uma resposta das autoridades, defendendo que "a força não substitua a política, o direito e o diálogo".

Filipe Alexandre Gonçalves - RTP / Adicionar como fonte informativa
Na carta aberta, as "Mães do Rossio" pedem uma investigação independente e rigorosa à intervenção policial. Foto: José Coelho via Lusa

Apresentam-se como as "Mães no Rossio" e acabam de divulgar uma carta aberta dirigida às principais instituições da República, subscrita inicialmente por 74 mulheres ligadas às artes, à política, à ciência e à sociedade civil. Exigem uma investigação à atuação das forças de segurança nas acampadas pelo direito à habitação, em Lisboa e no Porto.

Entre as primeiras subscritoras estão nomes como Carminho, Capicua, Catarina Furtado, Cláudia Semedo, Filomena Cautela, Gisela João, Graça Morais, Helena Carreiras, Helena Roseta, Joana Vasconcelos, Lídia Jorge, Maria de Medeiros, Maria de Lurdes Rodrigues, Rita Blanco e Teresa Pizarro Beleza.

São 74 as assinaturas e o número escolhido tem uma razão. "Porquê 74? Porque queremos homenagear o ano da nossa democracia", explicam as promotoras.

Na carta, as mulheres afirmam a oposição ao que consideram ser práticas de abuso e desumanização dos manifestantes. "Somos contra o abuso, a desumanização e a indiferença. Pedimos respeito pelos direitos fundamentais. Pedimos diálogo. Pedimos uma democracia sem medo dos cidadãos", escrevem.

A missiva é endereçada a várias instituições e entidades do país.

Ao presidente da República, as subscritoras pedem que assuma o seu papel de garante do regular funcionamento das instituições democráticas.

Já ao primeiro-ministro exigem a revisão das orientações transmitidas às forças de segurança e apelam à abertura de um processo de diálogo com os manifestantes que reivindicam o direito à habitação.

A Assembleia da República é também chamada a intervir, com um pedido de escrutínio da atuação policial e das orientações atualmente em vigor.

À Provedoria de Justiça solicitam ainda a divulgação das conclusões da observação realizada pelo Mecanismo Nacional de Prevenção, bem como esclarecimentos sobre a avaliação da necessidade e proporcionalidade da força utilizada pelas autoridades.

As signatárias dirigem-se ao Ministério Público e à Inspeção-Geral da Administração Interna (IGAI), a quem pedem uma averiguação "independente, rigorosa e célere" dos factos, nomeadamente quanto à "legalidade, necessidade e proporcionalidade da atuação policial”.

O documento surge na sequência das intervenções policiais nas acampadas e considera que a resposta das instituições democráticas não pode passar pela força, mas pelo esclarecimento dos acontecimentos e pelo respeito pelos direitos dos cidadãos.

As nove proponentes da carta são Anabela Mota Ribeiro, Anália Torres, Beatriz Batarda, Fernanda Fragateiro, Francisca Gorjão Henriques, Inês Ramires, Luísa Semedo, Madalena Mota e Patrícia Maio.

Na mensagem final, as promotoras deixam um alerta sobre a responsabilidade coletiva na defesa da democracia: "Uma democracia não se perde só quando falham as leis, mas também quando vemos a violência sobre o outro e olhamos para o lado."
 
A iniciativa permanece aberta à subscrição de todas as pessoas que defendam o direito à manifestação, independentemente do género, da idade ou da região.
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